O cenário global está testemunhando uma mudança sísmica, e no centro dela está o bloco BRICS — um grupo de nações que desafia a ordem mundial dominada pelo Ocidente que prevalece desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 10 de maio de 2025, com os mercados ainda se recuperando da volatilidade recente e as tensões geopolíticas se intensificando, os países do BRICS estão em destaque por sua crescente influência e planos ambiciosos. Na Vorpp Capital, temos acompanhado esse desenvolvimento de perto, especialmente à medida que as discussões sobre uma possível moeda do BRICS ganham força. Este artigo explora o que é o BRICS, quais países estão envolvidos, quem pode ser o próximo a se juntar, e a busca do bloco por sua própria moeda. Vamos explorar como isso ameaça a atual ordem mundial orientada para o Ocidente, o que o Ocidente pode fazer em resposta, e se uma mudança no poder global é inevitável — potencialmente levando a um declínio do status do dólar americano como moeda de reserva mundial. Isso poderia inaugurar uma ordem mundial bipolar, com duas superpotências em pé de igualdade? Vamos desmembrar esse tema complexo e ver o que ele significa para investidores e para a economia global.
O Que É o BRICS? Uma Plataforma para o Sul Global
BRICS é um acrônimo para um grupo de economias emergentes que se uniram para amplificar sua voz no cenário global. O bloco foi formado inicialmente em 2009 com Brasil, Rússia, Índia e China — cunhado como BRIC pelo economista da Goldman Sachs Jim O'Neill em 2001 para destacar seu rápido potencial de crescimento econômico. A África do Sul se juntou em 2010, adicionando o "S" para formar BRICS. Em 2024, o grupo se expandiu significativamente, recebendo Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Indonésia, refletindo uma ambição mais amplia de representar os interesses do Sul Global. Diferente de organizações formais como as Nações Unidas, o BRICS opera como uma coalizão informal, com foco em coordenação econômica, colaboração diplomática e no desafio à dominação de instituições lideradas pelo Ocidente, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A premissa fundadora do BRICS era que a ordem global existente, moldada pelas potências ocidentais após a Segunda Guerra Mundial, não atendia mais adequadamente às nações em desenvolvimento. O grupo busca oferecer uma plataforma alternativa para cooperação econômica e política, enfatizando princípios como igualdade e tomada de decisões por consenso. Ao longo dos anos, o BRICS lançou iniciativas como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) em 2014, frequentemente chamado de "banco do BRICS", para financiar projetos de infraestrutura sem as condições rígidas impostas por órgãos financeiros ocidentais. As cúpulas anuais do bloco — como a realizada em Kazan, na Rússia, de 22 a 24 de outubro de 2024 — se tornaram um fórum para discutir comércio, investimento e, cada vez mais, formas de reduzir a dependência do dólar americano nas transações globais.
Países-Membros e Potenciais Candidatos
Os atuais membros do BRICS abrangem regiões e economias diversas, representando uma parcela significativa da população mundial (atualmente cerca de 46,9%) e da produção econômica. Os cinco fundadores — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — trazem forças variadas: o poderio industrial da China, o florescente setor de tecnologia da Índia, os recursos energéticos da Rússia, o vigor agrícola do Brasil e a riqueza mineral da África do Sul. A expansão de 2024 adicionou Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, EAU e Indonésia, ampliando o alcance geopolítico do bloco. Arábia Saudita, Irã e EAU são grandes produtores de petróleo, enquanto Egito e Etiópia são atores-chave na África, e a Indonésia adiciona peso do Sudeste Asiático. Juntas, essas nações representam uma parcela substancial do comércio e dos recursos globais, posicionando o BRICS como um contrapeso à dominância econômica ocidental.
A expansão não para aí. Dezenas de países manifestaram interesse em ingressar, refletindo o crescente apelo do BRICS. Candidatos potenciais incluem nações como Venezuela, Argentina, Argélia, Nigéria, Tailândia e Turquia, entre outras. Postagens no X especularam que, até o fim de 2025, o bloco poderia crescer para incluir até 30 novos membros, embora tais afirmações permaneçam não verificadas. Esses aspirantes são atraídos pela promessa de cooperação econômica fora da influência ocidental, pelo acesso ao financiamento do NDB e pela chance de negociar em moedas locais, reduzindo a exposição a sanções dos EUA. No entanto, a expansão traz desafios — a diversidade do BRICS, embora seja uma força, também alimenta divisões internas, já que os Estados-membros frequentemente têm interesses conflitantes e rivalidades geopolíticas, como as existentes entre China e Índia ou entre Arábia Saudita e Irã.
A Busca por uma Moeda do BRICS: Uma Ameaça ao Dólar?
Uma das ideias mais ambiciosas — e controversas — vindas do BRICS é a proposta de uma moeda comum para rivalizar com o dólar americano. O dólar tem sido a moeda de reserva mundial desde o acordo de Bretton Woods em 1944, dominando o comércio e as finanças globais. Ele é usado na vasta maioria das transações internacionais, dando aos EUA uma influência significativa por meio de sanções e política monetária. Os líderes do BRICS, frustrados com essa dominância, há muito defendem a "desdolarização" — a redução da dependência do dólar para afirmar sua independência econômica e se proteger de sanções ocidentais, particularmente após as medidas impostas à Rússia depois de sua invasão da Ucrânia.
Na Cúpula do BRICS de 2024 em Kazan, as discussões se concentraram na criação de uma nova moeda, potencialmente chamada de "Unit", apoiada por uma cesta de moedas dos membros ou até mesmo por ouro. A ideia é permitir o comércio entre as nações do BRICS sem usar o dólar, contornando sistemas financeiros ocidentais como o SWIFT, que tem sido usado como arma por meio de sanções. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido vocal, questionando por que o comércio global deve ser baseado no dólar, enquanto a Rússia e a China têm pressionado por maior uso de moedas locais, como o yuan e o rublo. Algum progresso foi feito — China e Rússia já realizam grande parte de seu comércio em suas próprias moedas, e países como Índia e EAU assinaram acordos para liquidar comércio em rupias ou dirhams.
No entanto, o sonho de uma moeda unificada do BRICS enfrenta obstáculos significativos. O bloco carece da coesão necessária para uma moeda compartilhada — não há banco central comum, não há união fiscal e não há alinhamento macroeconômico entre os membros. O Brasil luta com instabilidade política, a Rússia enfrenta restrições econômicas decorrentes de sanções, a Índia mantém controles de capital, e a desaceleração econômica da China gera preocupações. Uma nova moeda também precisaria de confiança global, transparência financeira e profundidade de mercado — qualidades que o dólar construiu ao longo de décadas, mas que as moedas do BRICS não possuem. Embora o peso econômico coletivo do bloco seja substancial, superando o G7 em paridade de poder de compra, especialistas permanecem céticos de que uma moeda do BRICS possa destronar o dólar em breve. Ainda assim, mesmo passos incrementais em direção à desdolarização — como negociar em moedas locais — poderiam erodir a dominância do dólar ao longo do tempo, potencialmente debilitando a capacidade dos EUA de impor sanções e impactando sua economia.
Ameaça à Ordem Mundial Orientada ao Ocidente
A ascensão do BRICS representa um desafio direto à ordem mundial orientada ao Ocidente, frequentemente chamada de Pax Americana, que tem moldado a governança global desde a era pós-guerra. Instituições como o FMI, o Banco Mundial e o G7 há muito definem o tom da política econômica, muitas vezes priorizando os interesses ocidentais. O BRICS, agora representando uma parcela significativa da população e da produção econômica global, busca reequilibrar essa dinâmica de poder, oferecendo uma alternativa para o Sul Global. O NDB e iniciativas como o BRICS Pay — um sistema de pagamento para rivalizar com o SWIFT — visam criar uma arquitetura financeira paralela, reduzindo a dependência de sistemas ocidentais e dando aos Estados-membros mais autonomia.
Essa mudança ameaça o Ocidente de diversas formas. Economicamente, um declínio no uso do dólar poderia reduzir a demanda por ativos americanos, potencialmente levando a taxas de juros e inflação mais altas internamente. Geopoliticamente, ela debilita a capacidade do Ocidente de impor sanções, uma ferramenta essencial de política externa — Rússia e Irã, por exemplo, veem uma moeda do BRICS como uma forma de amenizar a pressão econômica dos EUA. A expansão do bloco, incluindo nações ricas em petróleo como Arábia Saudita e Irã, também lhe dá influência sobre recursos críticos, ecoando o impacto do embargo da OPEP de 1973. A China, como peso pesado econômico do bloco, está impulsionando esse avanço, usando o BRICS para expandir sua influência, promover o yuan e proteger cadeias de energia e de suprimentos contra os esforços ocidentais de "desacoplamento".
No entanto, as divisões internas do BRICS moderam sua ameaça. A dominância da China — responsável por uma grande parcela da produção econômica do bloco — cria tensão com membros como a Índia, que compete com a China pela liderança do Sul Global e mantém uma disputa de fronteira. Brasil e África do Sul, por sua vez, têm laços comerciais profundos com o Ocidente, tornando improvável uma ruptura total. A diversidade do bloco, embora seja uma força na representação do Sul Global, também dificulta uma ação coesa, limitando sua capacidade de derrubar fundamentalmente a ordem ocidental no curto prazo.
O Que o Ocidente Pode Fazer? Cooperação ou Confronto?
O Ocidente enfrenta uma escolha em sua resposta à ascensão do BRICS: confrontar o bloco diretamente ou buscar cooperação para mitigar sua influência. O confronto tem sido a atitude padrão — o presidente americano Donald Trump, no início de 2025, ameaçou tarifas de 100% sobre as nações do BRICS caso elas seguissem adiante com uma nova moeda, uma postura que a presidência brasileira do BRICS em 2025 tem minimizado, concentrando-se no comércio em moeda local em vez de uma moeda unificada. Tais ameaças correm o risco de sair pela culatra, pois alimentam justamente o sentimento de desdolarização que o Ocidente busca conter, empurrando os países ainda mais em direção a alternativas.
A cooperação, entretanto, oferece um caminho mais pragmático. O Ocidente poderia engajar o BRICS reformando instituições globais para melhor refletir os interesses do Sul Global — dando a países como Índia e Brasil mais voz no FMI ou no Banco Mundial, por exemplo. Convidar líderes do BRICS para cúpulas do G7, como foi feito em 2022, pode reduzir divisões e diminuir a narrativa antiocidental do bloco. Economicamente, o Ocidente poderia promover o comércio em euros ou outras moedas, diluindo a dominância do dólar em seus próprios termos, ao mesmo tempo em que mantém influência. Diplomaticamente, fortalecer laços com membros do BRICS como Brasil e África do Sul, que valorizam as parcerias ocidentais, pode evitar um alinhamento total contra o Ocidente.
A mudança no poder global pode ser inevitável — o peso econômico do BRICS e seu controle de recursos lhe dão uma influência que o Ocidente não pode ignorar. Cooperação não significa capitulação; significa se adaptar a um mundo multipolar onde a influência é compartilhada. O confronto, embora tentador, corre o risco de acelerar a desdolarização e isolar o Ocidente, à medida que as nações buscam alternativas para evitar sanções ou pressão econômica.
O Declínio do Dólar Americano como Moeda de Reserva Mundial
O status do dólar americano como moeda de reserva mundial está sob escrutínio, com o BRICS na linha de frente dos esforços de desdolarização. A dominância do dólar — usado na maioria do comércio global — dá aos EUA um poder econômico incomparável, desde a aplicação de sanções até custos de empréstimo mais baixos. Mas sua parcela nas reservas globais tem diminuído, à medida que os países diversificam para euros, yenes e até ouro, em parte devido às sanções contra a Rússia e às disputas comerciais com a China. O avanço do BRICS pelo comércio em moeda local — China e Rússia negociando em yuans e rublos, Índia liquidando comércio com os EAU em rupias — sinaliza uma tendência mais amplia em direção a alternativas.
Uma moeda do BRICS, embora improvável no curto prazo devido a desafios internos, poderia erodir ainda mais o papel do dólar caso ganhe força. Mesmo sem uma moeda unificada, o aumento do comércio em moedas locais reduz a demanda pelo dólar, potencialmente levando a uma inflação americana mais alta, taxas de juros crescentes e um dólar mais fraco ao longo do tempo. Isso não é apenas uma história do BRICS — a globalização tem tornado nações como Índia, Quênia e Malásia vocais sobre a desdolarização, buscando negociar em suas próprias moedas ou outros referenciais. O Ocidente precisa levar isso a sério; um dólar em declínio poderia remodelar as finanças globais, impactando desde os lares americanos até as dinâmicas do comércio internacional.
Uma Ordem Mundial Bipolar: Possível ou Improvável?
A ascensão do BRICS, liderada pela China, levanta a possibilidade de uma ordem mundial bipolar — duas superpotências, os EUA e a China, em pé de igualdade. Historicamente, tal equilíbrio é raro. A Guerra Fria chegou perto disso, com os EUA e a União Soviética como superpotências rivais, mas a interdependência econômica era mínima em comparação com hoje. A globalização entrelaçou as economias do mundo — China e EUA estão profundamente conectados por meio de comércio, cadeias de suprimentos e sistemas financeiros, tornando uma verdadeira divisão bipolar impraticável. Um bloco liderado pelo BRICS, mesmo com a China no comando, não tem a coesão para rivalizar com o Ocidente como uma superpotência unificada; rivalidades internas e disparidades econômicas entre os membros impedem uma visão singular.
Além disso, a interconexão do mundo complica uma divisão limpa. Nações como Brasil e África do Sul comercializam intensamente tanto com o Ocidente quanto com a China, enquanto a Índia equilibra sua participação no BRICS com parcerias ocidentais. Uma ordem bipolar pressupõe dois blocos distintos, mas a realidade de hoje é mais multipolar — múltiplos centros de poder, da UE às economias emergentes, compartilham influência. Embora o BRICS possa desafiar a dominância ocidental, é improvável que crie uma divisão bipolar limpa. Em vez disso, estamos caminhando para um mundo fragmentado e multipolar, no qual a cooperação, e não o confronto, determinará quem prospera.
Considerações Finais: Navegando por um Futuro Multipolar
Na Vorpp Capital, vemos o BRICS como uma força transformadora na ordem global, desafiando o sistema liderado pelo Ocidente que definiu o último século. Composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Arábia Saudita e Indonésia, com mais candidatos aguardando nos bastidores, o BRICS representa o empenho do Sul Global por uma parcela mais justa de poder. Seus esforços de desdolarização — por meio do comércio em moeda local e discussões sobre uma moeda do BRICS — ameaçam o status de reserva do dólar americano, potencialmente remodelando as finanças globais. O Ocidente pode responder com confronto, como visto nas ameaças de tarifas, mas a cooperação — reformando instituições globais e engajando o BRICS — oferece um caminho melhor para manter influência em um mundo multipolar.
Uma ordem bipolar com os EUA e a China como superpotências iguais é improvável; a história e a globalização sugerem um cenário mais fragmentado, no qual o poder é compartilhado entre múltiplos atores. A ascensão do BRICS sinaliza uma mudança, mas suas divisões internas e a interconexão do mundo significam que uma ruptura completa com o Ocidente não está no horizonte. Para investidores, isso significa se adaptar a uma realidade multipolar — diversificando além de ativos baseados em dólar, observando os movimentos do BRICS em comércio e finanças, e permanecendo ágil à medida que as dinâmicas de poder evoluem. A ordem global está mudando, e navegar por ela exigirá tanto cautela quanto colaboração.
Não considere este artigo como aconselhamento financeiro. Apresentamos apenas nossa própria opinião. Sempre faça sua própria diligência antes de investir em oportunidades de investimento alternativas (voláteis).


